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sábado, 21 de abril de 2012

Maquinomem
O homem esposou a máquina
e gerou um híbrido estranho:
um cronômetro no peito
e um dínamo no crânio.
 
As hemácias de seu sangue
são redondos algarismos.
Crescem cactos estatísticos
em seus abstratos jardins.
 
Exato planejamento,
a vida do maquinomem.
Trepidam as engrenagens
no esforço das realizações.
 
Em seu íntimo ignorado,
há uma estranha prisioneira,
cujos gritos estremecem
a metálica estrutura;
há reflexos flamejantes
de uma luz imponderável
que perturbam a frieza
do blindado maquinomem.
Helena Kolody
Do livro: "Era espacial e trilha sonora", Ed. autora, 1966, PR