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domingo, 4 de maio de 2014

Parece... Mas não é!

Cientistas tentam explicar as variações de personalidade entre gêmeos idênticos
Não sei se você tem na família ou na turma da escola um par de gêmeos idênticos. É impressionante como, na aparência, eles podem ser iguaizinhos: mesmos olhos, mesmo nariz, mesma boca… Por outro lado, muitas vezes, um dos irmãos é mais tímido e o outro, mais extrovertido. Ou um é mais calmo e o outro, mais brigão. Curioso, não é? Pois um grupo de cientistas alemães está tentando descobrir por que isso acontece.
A imagem representa um corte do cérebro visto de cima. Em vermelho, está o hipocampo, onde novos neurônios se formam durante a fase adulta (Ilustração: Washington Irving / Wikimedia Commons)
A diferença de personalidade entre gêmeos idênticos pode ser explicada pela plasticidade cerebral, ou seja, pela capacidade de o cérebro se adaptar a novas funções
Gêmeos idênticos dividem o mesmo genoma, ou seja, o mesmo conjunto de informações presentes no DNA – molécula que fica dentro de nossas células e ajuda a determinar nossas características, como a cor do cabelo, a altura etc. Além disso, na maioria das vezes, são criados juntos, na mesma casa e pelos mesmos pais. Por que, então, eles se tornam tão diferentes?
Os cientistas decidiram testar isso em camundongos. No experimento, usaram 40 camundongos geneticamente idênticos e criados em ambientes iguais. Ainda assim, perceberam que cada um desenvolve características próprias. A explicação estaria na plasticidade cerebral, ou seja, na capacidade de o cérebro se adaptar a novas funções.
Mesmo em gêmeos idênticos, cada indivíduo tem um cérebro único. Segundo os especialistas, isso acontece porque o cérebro não nasce pronto – continua se formando ao longo da vida, de acordo com as experiências que cada um vive. A pesquisa monitorou o cérebro dos camundongos durante três meses e observou o surgimento de novos neurônios em uma região chamada hipocampo.
A imagem representa um corte do cérebro visto de cima. Em vermelho, está o hipocampo, onde novos neurônios se formam durante a fase adulta
Todos os comportamentos dos camundongos foram gravados e analisados pelos pesquisadores. “Apesar de crescerem em um mesmo ambiente, as possibilidades de explorá-lo eram tantas que cada um teve experiências únicas”, conta o médico Gerd Kempermann. Os animais que exploraram mais o território, por exemplo, tinham mais neurônios ao fim do experimento.
Isso dá pistas sobre como, além de nosso material genético, nossos hábitos e experiências também ajudam a formar o cérebro. “Nossa descoberta trata do mistério e da controvérsia de como ambientes diferentes ou os modos como vivemos nossas vidas nos transformam em quem somos”.
Célio Yano,repórter da revista Ciência Hoje e da CH Online
(Disponível em: Ciencia Hoje das Crianças) 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O QUE É POLIDACTILIA?


     A POLIDACTILIA se caracteriza pela presença de dedos nas mãos e/ou nos pés de um número além do normal. Não é uma condição muito rara, sendo aproximadamente 10 vezes mais comuns em indivíduos negros do que em caucasóides.
     Quando uma pessoa possui mais dedos nas mãos do que o normal, chamamos de quirodáctilos e são nos dedos do pé, chamamos pododáctilos.
     A polidactilia é uma anomalia resultante da manifestação de um alelo autossômico (que não está ligado ao sexo e, portanto pode acometer tanto o sexo feminino quanto o masculino) e dominante (que se manifesta mesmo que esteja presente somente uma vez no par de cromossomos, ao contrário do recessivo, que só se manifesta quando aparece em dose dupla).
     Nessa anomalia os genes possuem penetrância incompleta, isso significa que apenas uma parcela dos portadores apresenta as características da doença, mas a pessoa pode carregar o gene e transferi-lo para seus filhos, mesmo não manifestando a anomalia.
     Isso significa que se o filho manifestou a anomalia e a mãe e o pai não, certamente o casal carrega esse gene. Por se tratar de um gene dominante, a probabilidade de transmissão para os descendentes é de 50%, caso sejam genes heterozigotos (Aa), ou 100% nos casos de genes homozigotos (AA).
     A expressão anomalia pode ser variável, apresentando desde a presença de um dedo extra completamente desenvolvido, até uma simples profusão carnosa. Apesar de ser uma anomalia, a polidactilia não carrega consigo nenhum problema neurológico  para seus portadores. A remoção cirúrgica é um processo considerado simples e é o único tratamento.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

ERITROBLASTOSE FETAL

POR QUE É TÃO IMPORTANTE SABER O TIPO SANGUÍNEO DURANTE A GRAVIDEZ?

     Se o tipo sanguíneo da mãe for Rh negativo e do bebê Rh positivo, na hora do parto esses sangues entrarão em contato. Se for a primeira gravidez da mamãe não haverá problemas, pois o corpo dela reagirá com a formação de anticorpos para o tipo de sangue Rh positivo.
     Mas se for a segunda gravidez, os anticorpos já existentes da primeira gestação irão atacar o sangue Rh positivo do bebê, provocando eritroblastose fetal, que causará anemia profunda, surdez e deficiência mental no bebê.
     Diante disso, a mãe deve procurar um médico para saber seu tipo sanguíneo e fazer exames no primeiro e último trimestre da gestação e se preciso tomar uma vacina para prevenir esse problema durante o parto.
A incompatibilidade de Rh acontece quando a mãe apresenta Rh negativo e o tipo sanguíneo do bebê tem Rh positivo!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

 

Em 1990, surgiu o Projeto Genoma Humano que tinha a finalidade de identificar no prazo de até o ano de 2005 cada um dos 100 mil genes através de um processo chamado mapeamento genético humano.

    
Esse mapeamento consiste em registrar cada um dos genes do cromossomo, determinar a ordem dos nucleotídios e sua função. As vantagens desse trabalho estão no fato da identificação da cura e da causa de muitas doenças como a obesidade, o diabetes e o hipertensão, o que será de grande benefício para a humanidade que, até então, não alcançou tal proeza.
Mas por outro lado, existem desvantagem (éticas e morais), pois o uso indevido do Projeto pode fazer com que as pessoas percam sua individualidade tornem-se vulneráveis e propícias a um descarte numa entrevista de trabalho, por exemplo, devido ao fato de que por um simples exame possa-se detectar uma má reprodução da célula e um futuro câncer, que dificultará sua admissão no emprego.
O conhecimento do código genético do ser humano pode ofertar em trunfo a certas pessoas, que poderia se usado de forma indevida resultar não só em sérios problemas éticos e morais, mas poderia ser responsável pela dizimação da raça humana.
Conceito
O genoma humano é um conjunto de instruções necessárias para formar um ser humano. Essas informações estão no DNA, uma longa molécula em formato de hélice distribuídas em 23 pares de cromossomos, que carregam os genes compostos por quatro elementos básicos: adenina, timina, citosina, guanina.
O objetivo do projeto genoma humano (pgh) era descobrir como essas substâncias químicas estão organizadas na longa fita retorcida do DNA; que começou como uma iniciativa do setor público, no Estados Unidos, onde obtiveram dados de alta qualidade e precisão, registrando os detalhes das células humanas, e acabou estendendo-se ao setor privado, que ao contrário do setor público, juntou-se ao projeto em vista do potencial do lucro que as pesquisas podem trazer, especialmente para as indústrias farmacêuticas. Em seguida, vários países, inclusive o Brasil, passaram a participar do projeto que virou um grande empreendimento internacional.
Atualmente, Já foram mapeados 97% do código genético humano. Os genes (pedaços de moléculas de DNA) são apenas rascunho ou uma receita tosca de como se fabrica um ser vivo. Eles contém a matéria e como fazer os tijolos, as proteínas, mas não todas as instruções de como monta-las de modo que o resultado final seja um bebe humano saudável.
O genoma é um grupo de cromossomos que podem ser de origem materna ou paterna. O projeto tem como finalidade decifrar todos os genes da espécie humana, porém os genes que estão isolados, a ciência faz com que voltem para os seus lugares e forma uma proteína.
Decifrar o código genético humano, é a ferramenta que deve acelerar a cura das doenças graves como o câncer.
O genoma nos fornece o potencial para desvendar o mecanismo básico das doenças, o que poderá permitir o desenvolvimento de tratamentos mais direcionados.
Como parte desse empreendimento, paralelamente estão sendo desenvolvidos estudos com outros organismos selecionados, principalmente microrganismos.
Objetivos e Importância
O Projeto Genoma Humano Bb(PGH) é um empreendimento internacional, projetado para uma duração de quinze anos. O mesmo teve início em 1990 com vários objetivos, entre eles identificar e fazer o mapeamento dos cerca de 80 mil genes que se calculava existirem no DNA das células do corpo humano; determinar as sequencias dos 3 bilhões de bases químicas que compõe o DNA humano; armazenar essa informação em bancos de dados, desenvolver ferramentas eficientes para analisar esse dados e torná-los acessíveis para novas pesquisas biológicas. Outro objetivo do PGH é descobrir todos os genes na sequência de DNA e desenvolver meios de usar esta informação no estudo da Biologia e da Medicina, envolvendo com isso a melhoria e simplificação dos métodos de diagnósticos de doenças genéticas, otimização das terapêuticas para essas doenças e prevenção de doenças multifatoriais (doenças causadas por vários fatores), no que diz respeito a saúde.
Porém, seu objetivo principal é construir uma série de diagramas descritivos de cada cromossomo humano, com resolução cada vez mais apuradas mas, para isto é necessário : dividir os cromossomos em fragmentos menores que possam ser propagados e caracterizados ; e depois ordenar os mesmos de forma a corresponderem a suas respectivas posições nos cromossomos, ou seja, fazer o mapeamento.
Segundo Jordan (1993)- pesquisador envolvido no PGH- o verdadeiro objetivo inicial do PGH não era o sequenciamento muito complexo, caro e trabalhoso porém, um mapeamento detalhado do genoma, só que, no decorrer do processo, os progressos tecnológicos foram tão grandes que propiciaram o sequenciamento mesmo antes do prazo previsto. No entanto, alguns críticos do PGH argumentam que seus objetivos eram tratar , curar ou prevenir doenças, só que, para eles, este é um longo caminho e por enquanto seu principal resultado são as companhias de biotecnologia comercializando kits diagnósticos.
A grande importância do PGH é sua busca pelo melhoramento humano e a tentativa de tratar, prevenir ou até mesmo curar doenças genéticas com outras causas de doença (álcool, drogas, pobreza...), considerando-as todas de origem genética e divulgando que um dia encontremos uma "solução genética" para estas condições de saúde. Porém devemos lembrar que a análise genética não é infalível e seus dados são, com frequência, mal interpretados devido a uma tendência ideológica da qual os pesquisadores participam quase que inconscientemente. Para o pesquisador Wilke (1994) tamanha ênfase na constituição genética da humanidade pode nos levar a esquecer que a vida é mais do que a mera expressão de um programa genético escrito na química do DNA . Ao mesmo tempo o professor José Roberto Glodim e a bióloga Úrsula Matte na publicação de um texto pela Internet dizem que "...não devemos atribuir ao PGH mais importância do que ele realmente pode. Tome-se por exemplo a anemia falciforme, uma das doenças genéticas mais conhecidas e a primeira a Ter seu gene identificado. Chama a atenção o atraso das pesquisas e a pouca participação da genética na melhoria da condição de saúde dos pacientes e o PGH não vai mudar essa situação a curto prazo, pois o conhecimento de um gene é uma garantia de avanço terapêutico.
Ética
A informação advinda do projeto deve servir para proteger e melhorar a saúde - curar ou prevenir doenças.
Porém, além do entusiasmo com os enormes benefícios que poderão advir das descobertas genética, fica a preocupação com algumas de suas consequência sociais.
Um dos temores, é que os empregadores passem a exigir teste de DNA dos seus operários, levando a uma exclusão social por conta apenas de uma probabilidade, e não de uma certeza de alguma doença; isso levará a uma criação de um possível novo grupo de trabalhadores desempregados, neste século da biotecnologia, baseado apenas nos seus genótipos.
Em uma sociedade em que as pessoas podem ser estereotipadas pelo genótipo, o poder institucional se torna mais absoluto. Ao mesmo tempo, a divisão da sociedade em indivíduos e grupos "superiores" e geneticamente "inferiores", surgirá uma nova classe social poderosa. Para evitar uma possível classe de desempregados descriminados geneticamente, será preciso fixar limites e impedir que instituições pratiquem a discriminação.
Outro aspecto preocupante é os da seguradora; uma vez que elas podem cobrar o chamado agravo em casos de doenças pré-existentes - o que é assegurado por lei federal - elas usam o testes de DNA como pretexto para aumentar o valor das contribuições mensais levando em consideração não a certeza, mas a probabilidade de determinada doenças.
Muitos profissionais da área de saúde preocupam-se com o fato de que milhões de pessoas possam vir a ser rotuladas por toda vida com os estigmas de doentes, pelo simples fato de poder apresentar futuramente uma doença, cuja as consequência se estenderiam muito além da promulgação de políticas de seguradoras.
Cientitas Brasileiros
O Brasil também participa do Projeto Genoma Humano, apesar da nossa tecnologia não ser muito avançada estamos investindo muito nesse projeto. As principais iniciativas tomadas foram a da clonagem dos genes pelo laboratório da pesquisadora Mayana Zatz; o Projeto Genoma Humano do Câncer este está em andamento graças a união da Fapesp, Instituto Ludwig, Unicamp, EPM e da Faculdade de Medicina da USP; Genoma Cana este pode levar o Brasil a liderar a pesquisa em genoma de plantas, o objetivo deste é desvendar o sequenciamento genético da cana-de-açúcar, que foi apresentado pelos cientistas da Copersucar à FAPESP em 1998, e está sendo estudado até hoje e ainda o sequenciamento de uma praga de lavoura de laranja chamada de Xylella fastidiosa.
O integrantes do Projeto Genoma do Câncer realizado no Brasil, pretendem identificar os genes associados aos tipos de câncer mais frequentes no país, para que assim possam facilitar futuramente a cura do paciente com esta patologia.
A descoberta do sequenciamento genético da praga Xylella fastidiosa que ataca os laranjais foi o principal motivo que levou o Brasil a se destacar com Projeto Genoma Humano, os grupos de pesquisa do país pela primeira vez trabalharam em cooperação, trocando dados em tempo real pela Internet até decifrar todas as 2,7 milhões de bases nitrogenadas desta praga.
O projeto da praga foi tão bem sucedido, que ganhou o reconhecimento internacional, sendo capa da revista britânica Nature e da Science (EUA.). Isto é muito gratificante para o país, pois assim conseguimos provar que não é por ser de um país subdesenvolvido, e de tecnologia atrasada que não se pode realizar grandes projetos com êxito.
Jornal A tarde
Revista Galileu vivendo e aprendendo. editora globo / fevereiro de 2001
Revista exame. editora abril / 237
Revista super interessante. editora abril / março de 2001 e janeiro de 2001
www.biotica.com.br/professorjoseroberto
 



terça-feira, 23 de abril de 2013

 Não há dúvida que o futuro da humanidade depende, em grande parte, da liberdade que os investigadores tenham de explorar os seus próprios ideias. Embora não se possa considerar descabido, os investigadores desejarem tornarem-se famosos, a verdade é que o homem que se dedicar à pesquisa com o objetivo de conseguir riqueza ou notoriedade, escolheu mal a sua profissão! (Alexander Fleming)
HISTÓRICO
     O uso da Biotecnologia teve o seu início com os processos fermentativos, cuja utilização transcende, de muito, o início da era Cristã, confundindo-se com a própria história da humanidade. A produção de bebidas alcoólicas pela fermentação de grãos de cereais já era conhecida pelos sumérios e babilônios antes do ano 6.000 a.C. Mais tarde, por volta do ano 2.000 a.C., os egípcios, que já utilizavam o fermento para fabricar cerveja, passaram a empregá-lo também na fabricação de pão. Outras aplicações, como a produção de vinagre, iogurte e queijos são, há muito tempo, utilizadas pelo ser humano.
      Entretanto, os agentes causadores das fermentações ficaram ocultos por seis milênios. Somente no século XVII, o pesquisador Antom Van Leeuwenhock, através da visualização em microscópio, descreveu a existência de seres tão minúsculos que eram invisíveis a olho nu.
      Foi somente 200 anos depois que Louis Pasteur, em 1876, provou que a causa das fermentações era a ação desses seres minúsculos, os micro-organismos, caindo por terra a teoria, até então vigente, que a fermentação era um processo puramente químico. Foi ainda Pasteur que provou que cada tipo de fermentação era realizado por um micro-organismo específico e que estes podiam viver e se reproduzir na ausência de ar.
      Posteriormente, em 1897, Eduard Buchner demonstrou ser possível a conversão de açúcar em álcool, utilizando células de levedura maceradas, ou seja, na ausência de organismos vivos .
      Paradoxalmente que possa parecer, foram as grandes guerras mundiais que motivaram a produção em escala industrial de produtos advindos de processos fermentativos.
      A partir da primeira guerra, a Alemanha, que necessitava de grandes quantidades de glicerol para a fabricação de explosivos, desenvolveu, através de Neuberg, um processo microbiológico de obtenção desse álcool, tendo chegado a produzir 1 mil toneladas do produto por mês. Por outro lado, a Inglaterra produziu em grande quantidade a acetona para o fabrico de munições, tendo essa fermentação contribuído para o desenvolvimento dos fermentadores industriais e técnicas de controle de infecções.
      Foi, todavia, a produção de antibióticos o grande marco de referência na fermentação industrial. A partir de 1928, com a descoberta da penicilina por Alexander Fleming, muitos tipos de antibióticos foram desenvolvidos no mundo.
      Na década de 40, durante a Segunda Guerra Mundial, os antibióticos passaram a integrar os processos industriais fermentativos, principalmente nos Estados Unidos, baseando-se inicialmente na síntese da penicilina e, posteriormente, da estreptomicina.
      Foi, todavia, a partir da década de 50 que a Biotecnologia, com a descoberta da síntese química do DNA, e com as técnicas de manipulação genética: DNA recombinante, fusão celular ou hibridoma, passou de fato a existir.
      A técnica do DNA recombinante envolve a criação sintética de novos organismos vivos, com características não encontradas na natureza, formadas pela hibridização em nível molecular do DNA. Essa técnica permite, por exemplo, o enxerto de genes humanos que determinam a produção de insulina em um micro-organismo. Isso leva a produzir industrialmente insulina humana, substituindo, com grande vantagens, a insulina bovina ou suína empregadas no tratamentos de diabéticos.
      A técnica de hibridoma possibilitou a manipulação genética das células vivas, onde duas ou mais células são fundidas para formar novos micro-organismos. Na prática, células animais que produzem anticorpos são incorporadas a outras malignas ou perniciosas, resultando em uma nova que se torna eficiente produtora de anticorpos.
      Atualmente é crescente o ritmo de desenvolvimento do setor, mantendo, inclusive, uma acentuada relação de interação com diversos outros setores da ciência e tecnologia, tais como: biologia molecular, fisiologia, microbiologia, engenharia química, engenharia ambiental etc.

BIOÉTICA
     A Bioética é um conjunto de pesquisas, discursos e práticas, normalmente multidisciplinares, cuja finalidade é esclarecer e resolver questões éticas suscitadas pelos avanços e pela aplicação da Medicina e da Biologia.
      Entre os temas abordados, sobressaem-se o aborto, a eutanásia, os transgênicos, a fertilização "in vitro", a clonagem e os testes com animais.
      O avanço da Biotecnologia abriu novas áreas de pesquisas, criando novas possibilidades de intervenções humanas sobre a natureza. Elaborou uma nova maneira de compreender a evolução, permitindo que repensemos a vida, tal como a sua realidade e sua complexidade.
      A Bioética tem a responsabilidade de alertar a sociedade da realidade existente no mundo da Biotecnologia.
      A Bioética não nasceu com a ideia de proibir o desenvolvimento genético, mas nasceu com o princípio de ter ética, no desenvolvimento da manipulação genética.

CÉLULAS-TRONCO
     As células-tronco são células primitivas, produzidas durante o desenvolvimento do organismo e que dão origem a outros tipos de células. Possuem capacidade de autorreplicação – isto é, de gerar uma cópia idêntica a si mesma – e potencial de se diferenciarem em vários tecidos. (DEL CARLO, 2008).
      Apresentam-se em diferentes tipos: 1) Totipotentes: podem produzir todas as células embrionárias e extraembrionárias; 2) Pluripotentes: podem produzir todos os tipos celulares do embrião; 3) Multipotentes: podem produzir células de várias linhagens; 4) Oligopotentes: podem produzir células dentro de uma única linhagem; 5) Unipotentes: produzem somente um único tipo celular maduro.

      Os cientistas trabalham com dois tipos de células-tronco de seres humanos: embrionárias (totipotentes) e adultas ou somáticas (pluripotentes).
 
     As embrionárias são derivadas de embriões que se desenvolvem de óvulos fertilizados “in vitro” e doados para propósitos de pesquisa. Estes embriões têm quatro a cinco dias de idade e formam uma estrutura microscópica denominada blastocisto.
      As adultas são células indiferenciadas, encontradas entre células diferenciadas dentro de um tecido ou órgão, que podem se renovar e se diferenciar para produzir tipos especializados. O papel primário das células-tronco adultas num organismo vivo é manter e reparar o tecido no qual elas são encontradas.

      As células-tronco oferecem a possibilidade de uma fonte de reposição de células e tecidos para tratar doenças como o Mal de Parkinson, traumatismo da medula espinhal, infarto, queimaduras, doenças do coração, diabetes, osteoartrite, artrite reumatoide, entre outras.

      Eventualmente, os cientistas podem até desenvolver órgãos inteiros em laboratório para substituir os que foram danificados por doenças.

CLONAGEM
     Clonagem é um processo natural (como é o caso de gêmeos idênticos) ou artificial (quando há a utilização de células somáticas) em que são produzidas cópias geneticamente idênticas de outro ser, através de reprodução assexuada.
      Em genética, define-se a clonagem como o processo de se produzir cópias idênticas de seres vivos através de um fragmento específico de DNA.
     Até 1997 e o surgimento da ovelha Dolly, a criação de um embrião animal começava obrigatoriamente com a fusão de um óvulo com um espermatozóide. Essa fusão poderia ser natural ou assistida, como nos processos de fertilização in vitro, porém sem o encontro dessas duas células muito especiais não havia a possibilidade da geração da vida.
      Dolly foi a primeira demonstração de que a vida animal pode surgir de outra forma: pela clonagem, a partir não mais de duas, mas de uma única célula de qualquer parte do corpo de um indivíduo adulto.
      No entanto, através desse método de reprodução, ao invés de gerarmos indivíduos inéditos, misturas de seus pais, geramos um clone, uma cópia daquele doador de célula: literalmente uma "reprodução"!
      A partir da clonagem da ovelha Dolly (em 1997), já foram gerados com sucesso clones bovinos, de camundongos, de porcos, entre outros, cada um deles com um objetivo específico - seja a produção de animais comercialmente interessantes ou a de modelos de animais para pesquisa básica.
      Há dois tipos de clonagem: reprodutiva e terapêutica.
  • Na clonagem reprodutiva o núcleo de uma célula adulta é introduzido no óvulo "vazio" - óvulo em que foi retirado o núcleo contendo material genético (DNA) - e transferido para um útero de aluguel, com a finalidade de gerar um feto geneticamente idêntico ao doador do material genético. A clonagem reprodutiva é praticamente rejeitada universalmente por não ser considerada como tendo uma finalidade terapêutica, como de fato deveria ser. 
  • Na clonagem terapêutica as células-tronco jamais serão introduzidas em algum útero. O DNA retirado de uma célula adulta do doador também é introduzido num óvulo "vazio", mas, depois de algumas divisões, as células-tronco são direcionadas no laboratório para fabricar tecidos idênticos aos do doador, tecidos que nunca serão rejeitados por ele. A clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição se o doador fosse a própria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente ou para substituir o tecido cardíaco em uma pessoa que sofreu um infarto. Entretanto, por mais que seja favorável a clonagem terapêutica, trata-se de uma tecnologia que necessita de muita pesquisa antes de ser aplicada no tratamento clínico. Por este motivo, a grande esperança, a curto prazo, para terapia celular, vem da utilização de células-tronco de outras fontes.
CULTURA DE TECIDOS
      Cultura de tecidos é um termo genérico que inclui a cultura de órgãos, que é o crescimento de pequenos fragmentos de tecidos ou de um completo órgão embrionário, e cultura celular, onde as células de um tecido são dispersas por meios mecânicos ou enzimáticos e se propagam como suspensão celular ou são prendidas em uma superfície de vidro ou plástico.
      A cultura de tecidos requer condições estéreis, e um meio de cultura contendo água, sais, muitos nutrientes e soro sanguíneo para a sustentação celular e para seu crescimento fora do corpo. Um meio de cultura sem soro tem sido desenvolvido para satisfazer necessidades e funções crescentes das células.

      A cultura de tecidos vegetais tem várias aplicações práticas utilizadas amplamente na agricultura. Dentre elas podemos destacar: a clonagem de vegetais, o melhoramento genético e a produção de mudas sadias. Esta técnica consiste, basicamente, em cultivar segmentos de plantas, em tubos de ensaio contendo meio de cultura adequado.

      A partir desses segmentos que podem ser gemas, fragmentos de folhas ou raízes, ápices caulinares entre outros, podem ser obtidas centenas a milhares de plantas idênticas. Essas plantas são, posteriormente, retiradas dos tubos de ensaio, aclimatadas, e levadas ao campo, onde se desenvolvem normalmente.

      A cultura de tecidos tem demonstrado grande importância prática e potencial nas áreas agrícolas, florestal, na horticultura, floricultura e fruticultura, bem como na pesquisa básica.

      As células e tecidos de culturas de animais são amplamente utilizadas para pesquisa biológica. Por exemplo, os métodos da cultura de tecidos são válidos para o teste de drogas com aplicação na medicina e para o preparo de vacinas, anticorpos, fatores de crescimento, coeficientes de coagulação, e numerosas proteínas.

      Células sanguíneas podem ser obtidas na medula óssea de doadores sadios, onde sua cultura é feita na presença de fatores de crescimento e utilizados no transplante de recipientes compatíveis no tratamento de doenças malignas, particularmente da leucemia.

      Os métodos de cultura de tecido estão sendo desenvolvidos para o transplante das células produtoras de insulina, isoladas de um tecido pancreático fetal em pacientes com diabetes que não respondem ao tratamento médico convencional.

TRANGÊNICOS
     Os organismos geneticamente modificados (OGMs), ou transgênicos, são aqueles que tiveram genes estranhos, de qualquer outro ser vivo, inseridos em seu código genético.
      O processo consiste na transferência de um ou mais genes responsáveis por determinada característica num organismo para outro organismo, ao qual se pretende incorporar esta característica. (Prof. Luiz Carlos Federizzi - UFRGS)
      Uma série de organismos diferentes já sofreram inserção de genes da mesma ou de outras espécies, dentre eles: vírus, bactérias, plantas (mais de 100 espécies diferentes), animais e até a própria espécie humana. As mais destacadas são os transgênicos utilizados:
Na medicina
a) Insulina obtida em bactérias transgênicas que receberam o gene humano que inclusive é fabricada e vendida livremente em todas as farmácias do Brasil (com tecnologia brasileira); b) Vacinas para a meningite e hepatite B; c) Hormônio de crescimento (somatropina), também obtidos em bactérias transgênicas (desde 1985).
Nos produtos de limpeza
Detergentes biodegradáveis obtidos em bactérias transgênicas são a base da maioria dos sabões e detergentes.
Nos produtos processados: a) Queijo: 100% do queijo produzido em muitos países utiliza coalho transgênico; b) Vinho: estão sendo utilizados em larga escala leveduras que foram alteradas geneticamente.
No ambiente
a) Kits para diagnóstico da poluição por diferentes poluentes; b) Bactérias transgênicas para limpeza de locais poluídos por petróleo e metais pesados.
Em animais
a) Ratos modificados geneticamente para estudos biomédicos (primeiros hemoglobina do coelho em 1981); b) Tilápia e dourado com crescimento quatro vezes o normal (gene com hormônio de crescimento); c) Drosophila e ratos com genes que simulam doença de Alzheimer.
Nas plantas
a) Genes de resistência à herbicida, vírus e moléstias; b) Genes que modificam a composição de lipídios (óleos); c) Genes de resistência a insetos; d) Genes com diferentes vitaminas (arroz pró vitamina A); e) Genes para maturação retardada (longa vida); f) Genes para a produção de fitoterápicos para a fabricação de remédios; g) Genes para a fixação do Nitrogênio; h) Vacinas comestíveis – vacinas contra difteria em bananas, entre outros.

      Esses são somente parte do grande número de exemplos possíveis de organismos geneticamente modificados que já estão ou estarão proximamente no mercado.
Ainda não existem normas apropriadas para avaliar os efeitos dos transgênicos na saúde do consumidor e no meio ambiente e há sérios indícios de que eles sejam prejudiciais. Os próprios médicos e cientistas ainda têm muitas dúvidas e divergências quanto aos riscos dessas espécies. Não existe um só estudo no mundo que prove que eles sejam seguros.
      A biotecnologia, como qualquer outra tecnologia, é uma ferramenta que deve ser usada com responsabilidade na solução de problemas. É bastante difícil prever qual será a eficácia de todas as iniciativas de desenvolvimento dos transgênicos. 
     Certamente, serão necessários ainda vários anos para que os pesquisadores e a sociedade compreendam melhor seus benefícios e riscos. Portanto, cabe à comunidade científica, aos governos e às empresas, utilizarem essa tecnologia de maneira a garantir o aumento da produtividade, a melhora na qualidade dos alimentos e a conservação do meio ambiente.